
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou neste final de semana a favor da manutenção da prisão preventiva do pai e do primo do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os dois são investigados no âmbito da Operação Compliance Zero. Fux antecipou seu voto e acompanhou o relator do caso na Segunda Turma, ministro André Mendonça.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, Henrique Moura Vorcaro (pai) e Felipe Cançado Vorcaro (primo) teriam dado continuidade a supostas atividades ilícitas mesmo após a prisão de Daniel Vorcaro.
O julgamento virtual teve início na última sexta-feira (22), mas sofreu uma pausa após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, que agora terá um prazo de até 90 dias para analisar detalhadamente o processo.
A Segunda Turma do STF também conta com os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques. No entanto, Toffoli não participará da votação. O ministro já havia se afastado da relatoria do caso Master e declarado suspeição por "motivo de foro íntimo", após virem à tona conexões envolvendo ele, o resort Tayayá e o banco gerido pela família Vorcaro.
Em sua argumentação, o relator André Mendonça destacou que existem indícios consistentes de que Felipe Vorcaro, detido desde o dia 7 de maio, assumiu o controle das operações do esquema logo após a prisão do primo. O magistrado apontou a criação de novas estruturas societárias e a realização de operações financeiras suspeitas mesmo com o avanço da Operação Compliance Zero.
Já Henrique Vorcaro, preso na 6ª fase da operação no dia 14 de maio, é investigado por sua suposta participação em um grupo paralelo conhecido como "A Turma". Segundo a PF, a estrutura era utilizada pelo dono do Master para fazer ameaças a adversários.
Para Mendonça, a suposta organização criminosa demonstra uma "altíssima capacidade de reorganização". O ministro justificou a prisão preventiva como necessária para "resguardar a ordem pública, assegurar a aplicação da lei penal e preservar a higidez da persecução penal".
Em nota, a defesa da família Vorcaro negou as acusações de continuidade delitiva. Os advogados argumentam que a manutenção da prisão "se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo".