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Bem-estar dos profissionais da linha de frente é uma questão de saúde pública
O Relatório sobre resiliência e bem-estar dos profissionais de saúde contém 25 recomendações e foi lançado hoje (22), segunda-feira, oficialmente p...
22/05/2023 18h35
Por: Redação Fonte: Agência Dino
Foto: divulgação

O Relatório final Diálogos sobre Políticas para Resiliência e Bem-estar dos Profissionais da Saúde, de iniciativa do Synergos Brasil e da FGV-saúde, com o apoio da Johnson & Johnson, é o início de um diálogo multissetorial sobre o tema.

A pandemia tornou ainda mais evidente que os profissionais da linha de frente precisam de cuidados e que é preciso um esforço multissetorial para identificar problemas e buscar soluções. Esse projeto nasceu da união de um grupo multissetorial e representativo do setor saúde como representantes dos profissionais da saúde, instituições de governo, sociedade civil, iniciativa privada e organismos internacionais, em um total de 22 organizações.

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Foi realizado um processo de construção coletiva de recomendações de medidas para promoção de melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde dos setores público e suplementar.

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A pauta está permeando discussões internacionais na OMS - Organização Mundial da Saúde e no IHI - Institute for Healthcare Improvement, pois antes todas as análises eram centradas apenas na experiência do paciente. Hoje a resiliência e o bem-estar dos profissionais estão sendo incluídos no conceito de qualidade da saúde. São 3.052.708 trabalhadores em saúde no Brasil, sendo 75% mulheres, segundo dados do Ministério da Saúde.

“Esperamos que outros atores se somem, avançando e aprofundando as recomendações aqui apresentadas”, destaca o professor doutor Alberto Ogata, pesquisador da FGVsaúde.

O documento também será amplamente divulgado e distribuído a todas as entidades e representações do setor saúde, sindicatos empresariais e de trabalhadores, universidades, governos nos três níveis de poder, assembleias legislativas, câmaras municipais e congresso nacional.

Mudança sistêmica

Promover a resiliência e o bem-estar dos profissionais da linha de frente da saúde é um desafio que exige mudanças na estrutura do sistema de saúde brasileiro, que é altamente complexo e abrangente. Mudanças nas relações entre os diversos atores que compõem este sistema e mudanças na visão que a sociedade possui sobre a importância destes profissionais para a qualidade da saúde oferecida à população.

Para dar conta de toda esta complexidade, o documento usou a abordagem da mudança sistêmica para estruturar os diálogos e reflexões dos participantes.

Recomendações

O grupo pretende que o Relatório inspire todos os envolvidos na cadeia da saúde. “É um documento convocador, um convite para que todos tomem conhecimento dele e usem como base para ampliar debates e procurar soluções”, destaca o professor Ogata.

O grupo ressaltou a importância das políticas organizacionais de gestão de pessoas, destacando incluir a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores na dimensão S dos modelos de ESG (sigla em inglês para governança ambiental, social e corporativa).

Também recomenda implementar políticas para o tratamento de denúncias e que visem a eliminação do assédio moral e sexual nas instituições de saúde.

Entre as práticas do setor, propõe incluir nas avaliações dos serviços de saúde, inclusive em processos de certificação e acreditação, métricas envolvendo saúde, segurança e bem-estar dos trabalhadores da saúde, principalmente da linha de frente. Lembrando que essas avaliações hoje encontram-se centradas na experiência do paciente.

O documento sugere também implementar ou revisar sistemas de ouvidoria e gestão de crise com garantia de proteção e sigilo, enfatizando as melhores práticas de compliance e a padronização e disseminação de boas práticas de liderança.

No entanto, o Relatório ressalva que os resultados esperados somente serão atingidos se ocorrer uma ação intersetorial, evitando a fragmentação das iniciativas com ações isoladas e garantindo a participação efetiva dos trabalhadores.

Para a professora Gabriela Lotta, pesquisadora da FGV-EAESP, as organizações que prestam serviços na área da saúde precisam estar preparadas para prevenir os riscos ocupacionais e promover um ambiente de trabalho saudável aos trabalhadores. “Sem isso, intervenções de apoio psicológico terão baixos resultados, pois não tratam a raiz do problema. Todo o sistema de saúde precisa estar unido para a valorização de seus profissionais. Melhorar as condições de trabalho do profissional de saúde é também uma questão de saúde pública”, destaca.

O relatório está disponível para download no endereço: www.syngs.info/profissionaisdesaude